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O Teatro e a arte no resgate histórico do negro no Brasil

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O Teatro e a arte no resgate histórico do negro no Brasil

Desde 1987, a AFAIA atua como resistência cultural da população negra e afro-religiosa
Publicado em 01/11/2017
Desde 1987, a AFAIA atua como resistência cultural da população negra e afro-religiosa
O Teatro e a arte no resgate histórico do negro no Brasil

Foto: Sibey Nunes/ Portal Cultura

Quase 15 anos após o decreto da Lei 10.639/03, que torna obrigatório o ensino da cultura e história afro-brasileira e africana no Ensino Fundamental e Médio, houve pouco avanço nesse aspecto. Essa medida é, de fato, uma conquista para o movimento negro brasileiro, mas o ensino da história africana continua sendo ignorado pelo plano pedagógico das escolas públicas e privadas.

 

Mas, se o sistema de educação ainda não aplica a Lei de forma eficaz para a disseminação das origens africanas dentro do território nacional, projetos sociais como a Associação dos Filhos e Amigos do Ilê Iyá Omi Ásé Òfa Kare (AFAIA), atuam há décadas na autoestima e reconhecimento das pessoas negras no Pará.

 

Entre os projetos oferecidos pela AFAIA, se destacam o grupo de teatro “Bambarê – Arte e Cultura Negra” responsável pela produção de peças teatrais como “Griot e os Espíritos da Terra”, “ÈMÍ – A Concepção Yorubana Do Universo”, a icônica “Face Negra Face – a história que não foi contada”e muitas outras. Todas elas têm o mesmo objetivo: colocar em cena a trajetória e a autoafirmação do povo negro.

 

“Eu tive a ideia de escrever a peça Face Negra Face na minha vivência diária, porque eu procurava por referências e não conseguia me enxergar nesse país. Eu era garoto, tinha entre 14 e 15 anos e percebi que precisava fazer alguma coisa para contar a história do meu povo”, explica o músico e dramaturgo, Edson Catendê, responsável pelos projetos culturais da AFAIA.

 

Edson conta que guarda até hoje, o caderno que começou a escrever as primeiras linhas do que se tornaria futuramente, uma das peças mais famosas sobre a história do negro no Brasil. “Peguei a minha primeira agenda ainda na Bahia e comecei a contar uma história de que estava no canavial. Quando eu cheguei a Belém em 1981, eu propus ao Centro de Estudo e Defesa do Negro no Pará para que pudéssemos realizar a peça”, comenta ele.

 

A produção preta nas artes é necessária e espetáculos como o “Face Negra Face”, realizados por artistas negros, são de grande relevância para os movimentos antirracistas dentro dos espaços teatrais, já que o uso de Black Face, uma forma de representar o negro de maneira estereotipada, com o uso de tinta preta em atores de pele clara, ainda é bastante comum. Além disso, a arte de modo geral é uma maneira lúdica, e ao mesmo tempo tem um grande impacto para retratar questões sociais como o racismo.

 

Desse modo, Edson explica que os espetáculos de cunho racial, que tem pessoas negras na direção, são de “muita importância na ajuda do resgate histórico do negro no Brasil e para que o público se reconheça e se identifique enquanto negro”.

 

A primeira fase do espetáculo “Face Negra Face” entrou em cartaz pela primeira vez em 1986 e já percorreu por vários quilombos no Pará, além de diversas apresentações no Teatro Waldemar Henrique e em Centro Comunitários.

 

Espetáculo Face Negra Face

 

AFAIA - Associação dos Filhos e Amigos do Ilê Iyá Omi Ásé Òfa Kare

Localizada no Conjunto Maguari, a AFAIA é uma associação formada por negros e negras da tradição de matriz africana e de pessoas simpatizantes na luta contra o racismo. A AFAIA surgiu em 1985, juntamente com a fundação do terreiro de candomblé “Ilê Iyá Omi Ásé Òfa Kare” e desde a década de 80 tem um papel relevante na construção e consolidação da identidade negra e afro-paraense.

 

“A AFAIA está com as portas abertas para quem quiser entrar. Porque o terreiro de candomblé é um espaço de acessibilidade para todos. Nós tratamos todos com o mesmo cuidado, sejam homens, mulheres, crianças, homossexuais, bissexuais ou heterossexuais. As pessoas de outras religiões também são bem recebidas em nosso espaço, porque aqui é um espaço de espiritualidade”, relata Catendê.

 

Edson além de babalorixá, também é advogado e atualmente é assessor jurídico da associação. “A AFAIA oferece apoio jurídico para a comunidade em questões raciais e também em casos de racismo religioso. Nós damos apoio, registramos o boletim de ocorrência e acompanhamos o inquérito”, afirma Edson.

 

E dando continuidade a nossa série de conteúdos especiais em alusão ao “Novembro Negro”, você acompanha na próxima quarta-feira, 08, às 20hs, aqui no Portal Cultura, uma entrevista com a Yalorixá, Mametu Muagile. Ela vai falar sobre o racismo religioso que atinge os praticantes de religiões de matriz africana. Além do alto índice de homicídio de afros religiosos no Pará.