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Quadrinho sobre vida de morador de Belém ganha o Prêmio Jabuti

Quadrinho sobre vida de morador de Belém ganha o Prêmio Jabuti

Em entrevista ao Portal Cultura, o quadrinista Gidalti Jr falou sobre a conquista e o processo de produção da obra.
Quadrinho sobre vida de morador de Belém ganha o Prêmio Jabuti

Por Lourival Borges / Portal Cultura

 

Fotos: Alex Sandro / Studio Asas Fotografia (Divulgação) e Gidalti Jr (Arquivos Pessoais)

 

Neste ano, um mineiro nascido em Belo Horizonte (MG) e criado em Belém (PA) conquistou o primeiro lugar no Prêmio Jabuti, a premiação literária mais importante do Brasil. O quadrinista Gidalti Moura Júnior desbancou várias obras e fez de “Castanha do Pará”, uma comédia dramática em quadrinhos sobre a vida de um menino da periferia de Belém, a grande vencedora da premiação na categoria “História em Quadrinhos”.

 

“Castanha do Pará” é o primeiro romance gráfico de Gidalti Jr., que encontrou em Belém a cidade que “fez a sua cabeça e roubou o seu coração, tornando-se sua musa inspiradora”, como ele mesmo define a capital paraense. Hoje, vivendo em São Paulo, divide o seu dia entre os projetos pessoais de quadrinhos, pintura e a vida de professor universitário de Artes e Comunicação.

 

Totalmente colorido em aquarela, o romance conta a história de um menino que é metade humano e metade urubu. Morador da feira do Ver-o-Peso, o personagem sobrevive de pequenos furtos, dos alimentos que encontra no “Veropa” e da pouca atenção que recebe dos transeuntes. História de riqueza gráfica exuberante e com forte cunho social.

 

 

A obra, uma publicação independente, demorou cerca de três anos para ser finalizada e só pôde ser concluída graças ao financiamento coletivo no site Catarse.

 

Os outros dois contemplados na categoria “Quadrinhos”, em segundo e terceiro lugares, respectivamente, foram: “Hinário Nacional”, de Marcello Quintanilha e “Quadrinhos dos Anos 10”, de André Dahmer.

 

Em entrevista concedida com exclusividade ao Portal Cultura, Gidalti Jr. conta um pouco da sua trajetória no mundo dos quadrinhos, sobre a obra “Castanha do Pará” e da importância do Prêmio Jabuti para a sua carreira e a de outros quadrinista brasileiros. Confira!

 

Como você se iniciou no desenho?

Gosto de desenhar desde muito criança, tanto que nem me lembro. Sempre tive em casa muito acesso à papel, canetinhas, tintas e etc. Comecei a partir da influência do meu pai, que sempre trabalhou com criação de uma maneira geral: campanha política, logomarcas, produção de textos jornalísticos e poesia, e eu sempre fui uma o ''auxiliar'' dele em quase tudo, seja na hora de mexer com coisas ligadas a carpintaria (fazíamos mesa, estantes e engenhocas para casa), burocracias de escritório ou mesmo pintar paredes. A quantidade de cartazes e santinhos políticos era gigantesca e eu desenhava em boa parte dos versos de sobras de material. Também gostava de copiar desenhos animados e quadrinhos como Caverna do Dragão, Jiraya, Motoqueiro Fantasma e X-men. Na adolescência, sempre que podia, visitava o quadrinhista paraense Bené Nascimento, que trabalhava para grandes editoras como Marvel e Dc comics e gostei da ideia de poder "viver" de desenho. Em casa, era muito comum termos papel e canetinhas à vontade. Sempre fui estimulado, e mesmo quando era advertido por professores por desenhar em sala de aula meus país eram tranqüilos quanto a isso. Estudei pintura muito cedo no atelier do aquarelista Mario Barata em Belém antes de iniciar os estudos na universidade.

 

 

De onde veio a inspiração para criar a história em quadrinhos “Castanha do Pará”?

Castanha do Pará é inspirado na obra “Adolescendo Solar”, do meu professor e atual coordenador do curso de artes visuais da UFPA, Luizan Pinheiro. O conceito de um menino no Ver-o-Peso parte de um conto dele. A cidade de Belém é outra marca em meu trabalho, pois foi onde eu vivi e de onde eu posso buscar por vivências na memória, como minha infância no NPI, colégio que fica na perimetral e a vivência na Pedreira, no Marco etc. Hoje tenho um olhar mais apurado sobre coisas que passaram de forma lúdica para o olhar de uma criança, como por exemplo a desigualdade e a falta de perspectiva para muitos jovens. Sobre a cidade, fico atento aos contrastes conceituais e estéticos de uma cidade inserida em contexto amazônico, seja observando o clima, a sociedade, a política e vários outros pontos comuns e instigantes das metrópoles brasileiras. 

 

Quem é o personagem, o menino da HQ “Castanha do Pará”?

O protagonista chama-se Castanha. Filho de uma família disfuncional, oprimido pelo padrasto que o criou, Castanha gosta de respirar a liberdade que conquistou pelas ruas da cidade, mesmo que tenha de enfrentar poucas e boas. Sempre que pode, tira vantagem de uma situação, mas, no fundo, é apenas um garoto que quer ser percebido em meio à impiedosa multidão.

 

O personagem tem quinze anos, mas é tão magricelo que parece ter onze. Possui a cabeça de urubu e corpo humano. Estranhamente, ninguém parece notar a sua aparência, todos estão ‘’cegos’’. Ele já faz parte da paisagem. Parte da composição da personalidade do personagem, assim como suas vivências têm origem eventos que presenciei quando garoto.

 

 

A vida desse menino em muito se assemelha ao de menores que vivem em situação de rua, inclusive na área da Feira do Ver-o-Peso, em Belém, e, por isso, é impossível não perceber o cunho social por trás da vida desse personagem. Qual a importância desse foco presente nesse trabalho?

Penso que exista uma naturalidade ou uma banalidade em relação a péssima situação sócio econômica em que boa parte das crianças brasileiras vivem hoje. Creio que o cunho moral da história esteja centrado nesta questão, mas como criador procuro levar outras camadas ao meu leitor. Prefiro muito mais que o público desvende os subtextos e as questões exploradas na obra do que necessariamente eu, como autor, faça essa reflexão. Fica aqui, então, o convite à obra. 

 

Sobre a conquista do primeiro lugar do Prêmio Jabuti na categoria “História em Quadrinhos”. Como você recebeu essa notícia e o que a premiação representa para você, sua carreira e a de outros quadrinista brasileiros?

Além das satisfações pessoais obvias, creio que o prêmio aponte para o que se faz no circuito independente, que nos últimos anos vem mostrando solidez no que se refere a quantidade e qualidade. Ainda creio que permite que o mercado todo fique mais atento as novas possibilidades de viabilização de produção artística. Espero que outros autores possam se mobilizar para produção em alto nível independente das circunstancias do mercado ou quaisquer outros fatores. O prêmio Jabuti deve fomentar ainda mais a produção de conteúdo original brasileiro.

 

Quais os seus próximos projetos profissionais?

Com a chegada de minha filha, tive que baixar um pouco o ritmo de produção. Estou muito focado em minha vida pessoal e espero poder estar cada dia mais presente no dia a dia da minha garotinha. No entanto, a vida profissional segue, mas sem a ansiedade de antes. Estou produzindo um novo álbum, do qual espero poder falar mais em breve, e deve me tomar algum tempo até que chegue nas mãos do público. Ainda estou envolvido em uma pesquisa acadêmica na área de poéticas visuais, que provavelmente resultará em uma vasta produção de pinturas que dialoguem com arte sequencial.

 

 

Prêmio Jabuti:  A história do Prêmio Jabuti começou por volta de 1958, em um período repleto de desafios para o mercado editorial brasileiro, com recursos escassos e baixa articulação do segmento. Apesar das adversidades, não faltava entusiasmo aos dirigentes da Câmara Brasileira do Livro (CBL). As discussões foram comandadas pelo então presidente da entidade, Edgar Cavalheiro, e pelo secretário Mário da Silva Brito – intelectuais e estudiosos da literatura brasileira –, além de outros membros da diretoria interessados em premiar autores, editores, ilustradores, gráficos e livreiros que mais se destacassem a cada ano.

 

A primeira edição do Prêmio Jabuti ocorreu no final do ano de 1959 em solenidade simples e despretensiosa realizada no auditório da antiga sede da CBL, na Avenida Ipiranga, em São Paulo. Na ocasião foram premiados autores como Jorge Amado, na categoria Romance, pela obra “Gabriela, Cravo e Canela”.

 

O maior diferencial do Jabuti em relação a outros prêmios é a sua abrangência, pois além de valorizar escritores, o prêmio destaca a qualidade do trabalho de todas as áreas envolvidas na criação e produção de um livro.

 

A partir de 2017, em sua 59ª edição, o Prêmio Jabuti passou a contemplar duas novas categorias: Histórias em Quadrinhos e Livro Brasileiro Publicado no Exterior. Esta última conta com o apoio do Brazilian Publishers, projeto setorial de fomento às exportações de conteúdo editorial brasileiro resultado da parceria firmada entre a CBL e a Apex-Brasil – Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos. Por sua abrangência, o Jabuti é considerado o maior e mais completo prêmio do livro no Brasil.