Quiere comprar pastillas de potencia Venda De Viagra Brasil La entrega de tabletas se produce en la normal imperceptible el sobre y se respeta la confidencialidad de la.

Conflitos agrários aumentam no Brasil

Rádio Cultura

Conflitos agrários aumentam no Brasil

Em 2017, 65 trabalhadores rurais foram assassinados. Pior resultado desde 2003
Publicado em 18/01/2018
Em 2017, 65 trabalhadores rurais foram assassinados. Pior resultado desde 2003
Foto em destaque

Reportagem: Iolanda Kinoshita

Edição: Alexandre Lins

Foto: Mácio Ferreira / Agência Pará

 

   Dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT) apontam que 2017 foi um dos anos mais violentos dos últimos tempos para quem vive em áreas rurais no Brasil. O levantamento mostra que 65 pessoas foram assassinadas em conflitos por terra, transformando o Brasil no país mais perigoso do mundo para trabalhadores rurais. A CPT aponta ainda que o número de mortes em 2017 teve o pior resultado desde 2003.

 

  Segundo o promotor de justiça, Leonardo Caldas, o assunto deveria ser tratado como uma questão de política pública, já que a motivação dos conflitos é a reivindicação de terras em áreas públicas. “Aquele cidadão que se diz proprietário de uma determinada área, ele quer fazer valer o direito que ele alega que possui. Como ele faz isso? Contrata pistoleiro. Então a partir do instante que o Estado se omite, ele abre espaço para que o proprietário se arme para proteger a área que ele acha que é dele. Enquanto o Estado não tratar esse problema como questão de políticas públicas, vários conflitos vão surgir”, afirma o promotor.

 

Estatísticas dos conflitos

 

   Entre os assassinatos de 2017, estão o da cidade de Colniza, no Mato Grosso, quando nove posseiros e agricultores foram mortos. Houve ainda o caso em Vilhena, em Rondônia, onde 3 pessoas foram mortas. No Pará, a Chacina de Pau D’Arco, na região sudeste do Pará, 10 trabalhadores rurais foram assassinados. “O ano de 2017 foi o mais sangrento. Estão acontecendo várias expulsões no Sul do Pará que nos dão os dados dessa violência no campo. Por exemplo, os territórios quilombolas  que estão nas proximidades de grandes áreas de empresas são ameaçados permanentemente”, informa Padre Paulinho, representante da CPT.

 

   No município de Moju, região nordeste do estado, a líder quilombola Maria Trindade Costa, de 68 anos, foi assinada em junho do ano passado. Segundo o coordenador da Federação dos Quilombolas do Pará, Jairo Silva, ocorreram 14 execuções motivadas por conflitos agrários. “Lá têm 38 famílias nessa comunidade e a dona Trindade era uma das lideranças mais fortes”, conta.

 

Ações do Governo do Estado

 

   No Pará, o governo diz que está combantendo a violência no campo. Segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup), de 2012 a 2017, foram realizadas cerca de 190 reintegrações de posse. Desse total, 50% ocorreram na zona rural. Só em 2016 foram investidos cerca de R$ 300 mil nessas operações, mesmo com a dificuldade financeira registrada no país. O Comando de Missões Especiais (CME), também em 2016, reintegrou 29 propriedades rurais, sendo 16 fazendas. A Segup afirma ainda que tem atuado em conjunto com o governo federal no Programa de Proteção Defensores, onde pouco mais de 50 pessoas são inclusas e beneficiadas. Em 2016, a Secretaria e a Ouvidora Agrária Nacional, desenvolveram ações de combate à violência no campo, a exemplo da chamada Patrulha Rural, realizada pela PM com o apoio do órgão federal. 

 

Situação atual dos territórios em conflito

 

   No último anos, os debates em relação a titulação de terras foram intensos. Desde 2004, o PFL (atual Democratas) iniciou uma ação que questiona a validade do decreto presidencial que regulamenta territórios quilombolas e indígenas. Até o final de 2017, 1.536 áreas estavam a espera da titulação e com a possibilidade de anulação. Os movimentos sociais temem que os conflitos agrários aumentem. Enquanto isso, aqui no Pará o maior desafio é o de continuar resistindo. “As comunidades quilombolas estão resistindo, sabemos que o poder do capital é muito superior, mas a essência dos povos e trabalhadores rurais têm que se impor também numa consciência de luta e organização. Resistiremos até o fim, esse é o desejo da fé cristão e vamos continuar na luta”, conclui Padre Paulinho.

 

   Segundo o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), 220 territórios quilombolas já foram titulados. A Fundação dos Palmares aponta a certificação de 2.600 comunidades. De acordo, com os dados do Instituto de Terras do Pará, o estado é o que mais demarcou territórios no Brasil, das 168 áreas tituladas no país em 2017, 58 foram registradas no Pará.