Cascas de caranguejo são utilizadas na produção de adubo orgânico, em Bragança (PA)
Projeto experimental gera renda para comunidades extrativistas e representa uma solução para os impactos socioambientais causados pelo descarte irregular dos resíduos do beneficiamento do crustáceo.

As cascas descartadas após o beneficiamento da massa do caranguejo podem se tornar base para a produção de adubo orgânico de alta qualidade, gerando renda para comunidades extrativistas de Bragança, no nordeste paraense. O resultado é fruto de um projeto experimental do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA), em parceria com a Universidade Federal do Pará e o Instituto Mamirauá.
Embora o uso das cascas do crustáceo para a compostagem não seja exatamente uma novidade, a inovação no projeto de Bragança reside no fato de que o processo de produção do adubo ocorre dentro das próprias comunidades, prevê a venda direta, bem como a utilização do insumo pelas famílias de pequenos agricultores na produção de frutas e hortaliças.
O projeto instalado no campus bragantino do IFPA tem capacidade para processar mais de uma tonelada de resíduos por mês. A miniusina foi construída com recursos do Instituto Mamirauá e, inicialmente, vai beneficiar as comunidades de Caratateua e Vila do Treme, em Bragança, e do distrito de Fernandes Belo, em Viseu.
A unidade experimental é formada por três baias para compostagem integradas a um sistema de coleta de chorume e uma baia de secagem de resíduos de caranguejo. Além disso, o projeto conta com uma área de produção e teste do adubo em hortaliças, integrada a uma estufa.
IMPACTOS SOCIOAMBIENTAIS
Segundo o professor do IFPA, Kleber Junior, quando não recebem a destinação adequada os resíduos do beneficiamento do caranguejo geram vários problemas socioambientais para as comunidades, tais como o mau-cheiro, a atração de insetos e a contaminação do solo. Assim, a realização do projeto aponta para um caminho e uma solução viáveis para fazer frente a esse problema, disse Kleber.
Além disso, as cascas de caranguejo descartas no mangue acabam se acumulando e afetando a manutenção da vida do próprio bioma, inibindo a reprodução das espécies que se utilizam desse ecossistema como berçário, explicou a professora Marileide Alves, do campus da Ufpa em Bragança.
Outro ponto a destacar, é que o adubo produzido é 100% orgânico, livre de aditivos químicos, rico em nutrientes e pode ser gerado na casa dos pequenos agricultores, os quais não mais precisam comprar nas lojas para utilizar na própria produção, ressaltou a professora.