Debate na COP30 reúne especialistas e lideranças para discutir impactos da crise climática nos direitos humanos

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Nesta segunda-feira (17), o evento paralelo à COP 30 “A crise climática é uma crise dos direitos humanos”, promovido pela Secretaria Executiva de Direitos Humanos no estande temático da Green Zone, reuniu especialistas e lideranças que atuam na interface entre Amazônia, direitos humanos e crise climática. 

No debate participaram Miro Sanova, presidente da Funtelpa; Larissa Martins, secretária executiva de Direitos Humanos de Belém; Julia Martins, do Movimento pela Soberania Popular da Mineração (MAM); João do Clima, coordenador da Juventude das Ilhas; Natália Bentes, da clínica de direitos humanos do Cesupa; e Jesús Gonçalves, advogado popular do MST e da Unipop.

O debate reforçou que, na Amazônia, a crise climática é também uma crise humana. Povos indígenas, ribeirinhos, quilombolas e demais comunidades tradicionais já vivenciam impactos diretos em seus territórios, culturas e meios de subsistência. Secas, enchentes, queimadas e a intensificação da degradação ambiental comprometem direitos básicos como acesso à água, saúde, segurança, terra e dignidade.

Para o presidente da Funtelpa, “a crise climática e os direitos humanos têm tudo a ver, porque afetam diretamente as pessoas: quando há seca, quando há enchente, isso provoca catástrofes e prejuízos aos seres humanos”. Já João do Clima destacou que “a juventude amazônica é a geração mais afetada pela crise climática”, lembrando que os espaços internacionais “sempre pautam juventude e crianças como o futuro e o amanhã”.

A secretária Larissa Martins afirmou que realizar uma COP no coração da Amazônia representa “inverter a lógica”, permitindo que “a gente fale por nós mesmos e que sejam os povos da Amazônia a apontar saídas para a crise climática”.

Nesse contexto, o presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, afirmou que a ação climática precisa avançar além do discurso, sobretudo quando afeta diretamente populações cujo acesso a direitos básicos já está em risco. Em carta divulgada pela presidência da conferência, ele destacou que “a adaptação climática deixou de ser uma escolha que sucede a mitigação; ela é a primeira parte de nossa sobrevivência”, reforçando que enfrentar a crise climática significa também garantir água, saúde, segurança e permanência nos territórios, pilares centrais dos direitos humanos.

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