Manto do Círio 2026 traduz missão de Maria em símbolos de fé, delicadeza e devoção
Nova veste da Imagem Peregrina foi apresentada nesta quinta-feira (08), na Basílica Santuário de Nazaré, e traz como inspiração a Visitação de Maria a Isabel.
A Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Nazaré ganhou, na noite desta quinta-feira (08), o manto que a acompanhará nas procissões e principais momentos do Círio 2026. A nova veste foi apresentada durante celebração na Basílica Santuário de Nazaré, em Belém, e transforma em cores, bordados e símbolos a mensagem que conduz a festividade deste ano: “Maria, Missionária que nos dá Jesus”.
Criado e confeccionado pelo estilista Artur Maciel, a partir do desenho de Celeste Heitmann, o manto tem como principal inspiração o episódio bíblico da Visitação, quando Maria, grávida de Jesus, parte ao encontro de sua prima Isabel, que esperava João Batista.
A passagem do Evangelho de Lucas (Lc 1,39-56) foi escolhida a partir da reflexão apresentada pelo arcebispo metropolitano de Belém, Dom Júlio Endi Akamine, por ocasião da divulgação do tema do Círio. Maria aparece como a primeira missionária: aquela que, logo após receber Jesus, coloca-se a caminho para levá-lo ao encontro do outro.
Essa ideia de movimento, missão e entrega atravessa toda a composição do manto.
Da própria Basílica para o manto
Parte da riqueza visual da nova veste nasceu dentro da própria Basílica Santuário. Para desenvolver o desenho, Celeste Heitmann buscou referências em elementos artísticos presentes no templo, entre eles a escultura em bronze que representa o encontro de Maria e Isabel, localizada diante do púlpito do altar-mor.
Também serviram de inspiração o Divino Espírito Santo e os traços barrocos dourados encontrados no teto do Altar de Nossa Senhora do Brasil, além da coroa que está sobre a imagem original de Nossa Senhora de Nazaré, no Glória.
O resultado aparece em um trabalho no qual os detalhes não cumprem apenas uma função estética. Cada elemento ajuda a contar a mensagem escolhida para o Círio deste ano.
O ouro intenso, as curvas barrocas e as folhas de acanto foram traduzidos em bordados de metal dourado que percorrem o manto e representam a realeza, o anúncio e o triunfo do Reino de Deus.
Entre os arabescos surge ainda a flor-de-lis, representação estilizada do lírio associada à pureza e à humildade da Virgem Maria e, ao mesmo tempo, uma referência à Santíssima Trindade.
Um caminho representa a primeira missão de Maria
Na região mediana da peça, pequenas rosetas formam uma espécie de caminho. O detalhe simboliza justamente o percurso feito por Maria ao partir para sua primeira missão.
Nesse caminho estão representados valores associados à própria atitude de Nossa Senhora diante de Isabel: amor, alegria, ternura, delicadeza e disponibilidade para servir.
A Visitação volta a aparecer em outros pontos da veste. No broche está representado o Divino Espírito Santo. Logo abaixo, dois corações bordados em fios de ouro, um de cada lado do fechamento do manto, simbolizam os corações de Maria e Isabel.
Nas costas, uma palavra resume outro dos momentos mais importantes daquele encontro: Magnificat. É o nome dado ao cântico de Maria, no qual ela reconhece a grandeza e a graça de Deus em sua vida e na história da salvação.
O encontro de Maria e Isabel no centro da peça
Um dos elementos de maior destaque é o medalhão central, que representa o encontro entre Maria e Isabel.
A cena está delicadamente posicionada sobre cristais em tons de branco, amarelo-manteiga, champagne e rosa. As tonalidades foram escolhidas para produzir a ideia da luz que emana do céu e ilumina o encontro das duas mulheres.
A coroa presente no Glória da Basílica também inspirou a composição, exaltando Maria como Rainha do céu e da terra. A simbologia, porém, está diretamente ligada à mensagem de humildade e serviço: sua realeza se sustenta na graça de Deus e em sua entrega.
Assim, o manto não apresenta Maria apenas como aquela que recebe Jesus, mas principalmente como aquela que o leva consigo. É essa a essência da mensagem proposta para o Círio 2026: Maria recebe Cristo e imediatamente se coloca a caminho para compartilhá-lo.
De romeiro da corda a criador do manto
Para Artur Maciel, a responsabilidade de vestir a Imagem Peregrina tem uma relação que ultrapassa sua trajetória profissional na moda.
Antes de receber o convite para criar o manto, o estilista já carregava uma longa história de participação no Círio e na vida da Basílica. Foi romeiro da corda durante 15 anos e soma cerca de duas décadas de trabalhos pastorais na paróquia.
Durante cinco anos, integrou a organização do Círio das Crianças, passou pela Pastoral da Acolhida e atualmente exerce a função de Guarda de Nazaré. Foi nesse percurso de serviço e devoção que nasceu o desejo de um dia assinar o manto da Imagem Peregrina.
Na carreira profissional, Artur iniciou seu ateliê produzindo peças para uma grife espanhola até desenvolver sua própria identidade criativa e suas coleções autorais. Para o Círio, o trabalho de confecção começou por volta da Semana Santa.
O conceito escolhido para 2026 levou à construção de uma peça marcada pela delicadeza e pela simbologia, buscando representar a simplicidade de Maria e, ao mesmo tempo, a dimensão de sua missão.
Os bordados foram executados pelo Ateliê Artur Maciel e por Tammy Yamada. A ourivesaria é assinada por Marcelo Monteiro.
Apresentado aos fiéis nesta quinta-feira, o novo manto passa agora a acompanhar a Imagem Peregrina durante o Círio 2026. Mais do que uma nova veste, a peça conta, por meio da arte, a história de uma Maria que não permanece parada depois de receber Jesus: ela parte, atravessa caminhos e vai ao encontro do outro.
Ficha técnica – Manto do Círio 2026
Desenho: Celeste Heitmann
Estilista: Artur Maciel
Bordados: Ateliê Artur Maciel e Tammy Yamada
Ourivesaria: Marcelo Monteiro

