"Corra!", de Kalika e Primo, vence como melhor videoclipe no Amazônia FiDoc, em Belém
Produzido de forma independente, a obra conquistou o Júri Oficial do Festival e garantiu o 1º lugar na categoria.
Entre espelhos, maquiagens e fugas, em uma noite marcada pelo medo e pela perseguição, Kalika tenta sobreviver a forças externas e internas que o cercam e, junto com seu amigo Primo, entra em uma corrida desesperada por segurança. A sinopse já adianta o misto de tensão e encanto presente no videoclipe “Corra”, de Kalika e Primo, enredo que conquistou o Júri Oficial da 11ª edição do Amazônia FiDoc.
“Corra!” recebeu o prêmio de melhor videoclipe do Júri Oficial, em cerimônia realizada na noite dessa quarta-feira (6), no Cine Líbero Luxardo, em Belém, e que celebrou as produções da Pan-Amazônia e da Amazônia Legal. O videoclipe foi idealizado por Kayky Ryan e Pedro Marques, estudantes de cinema da Universidade Federal do Pará, com roteiro e direção de Kayky Ryan, além de produção musical de Pedro Marques.
“A obra foi toda produzida a partir da nossa persona artística, eu como Kalika e Pedro como Primo. A construção do roteiro começou em uma atividade acadêmica e, a partir de então, assumimos nossas ‘personas’ para construir a obra. A ideia era dar vida aos ‘alter egos’, o lado sombrio do ser humano, que é conflituoso e, ao mesmo tempo, envolvente. Então a obra retrata a perseguição desse ‘eu maligno’, que traz à tona tudo aquilo que te perturba. Por isso, o videoclipe traz em cada detalhe uma pegada conflituosa, meio ‘terror psicológico’, para impactar e envolver, seja nas cores, no estilo e na performance”, explica Kayky Ryan.
Muito emocionado com a premiação, Kayky relembrou o momento do anúncio e as palavras durante a cerimônia. “Durante o evento, foi anunciado que a gente ganhou pela originalidade e pela capacidade de buscar uma visualidade autêntica e belamente imperfeita. E isso me marcou muito, não só pelo reconhecimento como uma obra única, mas pela premiação, por ocuparmos esse lugar. Essa é a prova de que a gente consegue, de que é possível fazer cinema independente na Amazônia, que os artistas e cineastas da região são brilhantes, são grandes potências criativas e são capazes de tudo que sonham, basta acreditar”, ressalta.
A importância da premiação foi ressaltada por Pedro Marques, que também destacou como essencial a coletividade ao longo da produção. “A premiação tem um peso muito grande porque esse trabalho nasceu de um processo totalmente coletivo, construído com muito esforço, sem grandes orçamentos e movido principalmente pelo amor à arte. Ganhar um prêmio num festival pan-amazônico, competindo com produções muito mais estruturadas, mostra a potência artística daqui. A produção foi marcada por horas e horas de trabalho não remunerado, por improvisos, desafios técnicos e muita dedicação de todo mundo envolvido. Acho que isso aproximou ainda mais a equipe, porque existia uma consciência coletiva de que estávamos construindo algo importante juntos. Também reforçou em mim a importância da universidade pública e de iniciativas como os festivais, porque são espaços que possibilitam que artistas independentes consigam circular, ser vistos e reconhecidos”, pontua.
Pedro ainda destaca o prêmio como um propulsor para novos trabalhos e para os profissionais da região, mesmo com os desafios de fazer audiovisual independente na Amazônia, “A perspectiva é seguir trabalhando e entendendo que as dificuldades continuam existindo, principalmente para quem produz arte de forma independente no Norte do país. Mas esse reconhecimento mostra que o nosso trabalho tem potência para alcançar lugares muito grandes. Acho importante que isso também sirva para fortalecer a ideia de que não precisamos sair da Amazônia para produzir arte profissional e relevante. Pelo contrário: existe uma riqueza estética, cultural e humana aqui que precisa ser valorizada e potencializada. Quero continuar construindo a partir desse território, colaborando com artistas daqui e mostrando que a produção amazônica merece ocupar cada vez mais espaço”, afirma.
Produções paraenses entre os premiados da 11ª edição do Amazônia FiDoc, em Belém
O videoclipe “Corra!” brilhou junto com outras produções paraenses que conquistaram importantes categorias do festival, reforçando a força do audiovisual produzido no Pará. Na Mostra Pan-Amazônica, o curta-metragem “Boiuna”, da diretora Adriana de Faria, foi um dos grandes vencedores da noite ao conquistar os prêmios de Melhor Curta-Metragem pelo Júri Oficial e pelo Júri Popular.
Outro destaque paraense foi o curta “Quem Quer?”, dirigido por Célia Maracajá, vencedor do prêmio de Melhor Curta-Metragem pelo Júri Popular na 3ª Mostra Amazonas do Cinema, voltada especialmente para produções dirigidas por mulheres.
Na Mostra Amazônia Legal, o prêmio de Melhor Longa-Metragem pelo Júri Oficial foi para A Mulher sem Chão, enquanto Xingu, Nosso Rio Sagrado conquistou o prêmio do Júri Popular.
Na 3ª Mostra de Videoclipes e Videoartes, o Pará também teve forte presença entre os premiados. O videoarte Didibuísmos, de Marise Maués, venceu nas categorias de Melhor Videoarte pelo Júri Oficial e pelo Júri Popular.
Outras premiações
Além dos destaques paraenses, obras de vários estados brasileiros se destacaram no festival. O filme de animação “Glória e Liberdade” (CE), dirigido por Letícia Simões, foi o grande vencedor da edição ao conquistar o prêmio de Melhor Longa-Metragem da Mostra Pan-Amazônica pelo Júri Oficial. A obra mistura documentário e animação para imaginar um Brasil fragmentado em nações independentes no ano de 2050, abordando temas como memória, racismo, identidade e liberdade.
Ainda na Mostra Pan-Amazônica, o longa “Dona Onete: Meu Coração Nesse Pedacinho Aqui”, de Mini Kerti, venceu o prêmio de Melhor Longa-Metragem pelo Júri Popular. As menções honrosas ficaram para Sara e Kueka, Memoria Ancestral. Entre os curtas, Sukande Kasáká – Terra Doente venceu pelo Júri Oficial, e Mucura (RO) foi eleito pelo público.
A programação também premiou produções estudantis na Mostra Primeiro Olhar – Rios das Memórias. O curta A Fundação de Joanes – Vila de Joanes recebeu os prêmios de Melhor Curta-Metragem pelo Júri Oficial e pelo Júri Popular. Já Escola Bosque – 30 anos recebeu Menção Honrosa.
Realizado em Belém, o festival reuniu ao longo de mais de uma semana produções de diferentes territórios amazônicos e reforçou seu papel como espaço de valorização e fortalecimento do cinema da região. A 11ª edição do evento contou com patrocínio da Petrobras, por meio da Lei Rouanet e do Ministério da Cultura, além do apoio do Governo do Pará, Sesc Pará, Fórum dos Festivais e Mistika.

