Cortejo Visagento chega à 8ª edição com tema sobre a memória e a preservação do rio Tucunduba
O Cortejo Visagento chega à sua 8ª edição neste sábado (31), com concentração às 18h, no Cemitério Santa Izabel, no Guamá, em Belém. Com o tema “Quem tem medo do rio Tucunduba?”, a manifestação cultural reúne histórias de visagens, expressões artísticas e debates sobre a memória do território e a preservação dos rios amazônicos.
A edição deste ano propõe uma reflexão sobre a relação entre a cidade e o Tucunduba, historicamente ligado à circulação de pessoas, embarcações e mercadorias vindas das ilhas. Ao longo do tempo, o rio sofreu com poluição, despejo de esgoto, aterramentos e intervenções urbanas. A iniciativa questiona a forma como os cursos d’água são tratados diante dos alagamentos e das transformações da cidade.
Cultura popular como resistência
Criado em 2016 e realizado pelo Espaço Cultural Nossa Biblioteca (ECNB), o Cortejo Visagento surgiu da articulação entre iniciativas de incentivo à leitura, valorização do patrimônio histórico e contação de histórias. O projeto também busca fortalecer o folclore paraense e as narrativas amazônicas diante da popularização do Halloween.
Para Mineia Silva, presidente do espaço cultural, o evento nasceu da vontade de valorizar as histórias e a cultura da região.
“O Cortejo Visagento nasce a partir de múltiplas inspirações. Uma delas foi a vontade de fazer uma rua de leitura à noite; outra, uma reação à presença do Halloween, que estava se tornando mais importante do que a nossa própria mitologia. Queríamos fazer do evento uma forma de resistência da cultura popular amazônida e valorizar o patrimônio do bairro”, explica.
Conversa, oficinas e programação cultural
A programação começa na terça-feira (27), às 17h, com a Conversa Visagenta, conduzida por Ariane Caldas, no Espaço Cultural Nossa Biblioteca. A pesquisadora desenvolve um trabalho sobre os palacetes assombrados de Belém, investigando lendas urbanas, narrativas sobrenaturais e a memória das antigas edificações da capital.
Na quarta-feira (28), às 15h, o espaço recebe as Oficinas Visagentas. A oficina de máscaras com Uritã propõe a criação de personagens inspirados nas visagens amazônicas, enquanto a atividade de figurino com RomaRio e Lou explora a confecção de vestimentas e o reaproveitamento de materiais.
No sábado (31), além do cortejo pelas ruas do Guamá, a Praça Benedito Monteiro recebe exposição de trabalhos artísticos, venda de livros e o tradicional concurso de fantasias. Entre as produções previstas estão o livro de Xavier dos Passos, o Naipeado — Baralho Amazônico, e os livros de Preto Michel.
Memória do rio e questões ambientais
Nos últimos anos, o projeto passou a abordar questões como desmatamento, ilhas de calor, secas dos rios e qualidade do ar, aproximando a cultura popular dos debates socioambientais.
Nesta edição, o Tucunduba orienta a reflexão sobre a memória das comunidades e as transformações urbanas. Durante o percurso, será distribuído um material de pesquisa sobre a história das ruas por onde o cortejo passará e as questões ambientais do território.
A iniciativa transforma as narrativas de assombração em uma forma de valorizar a identidade cultural do Guamá e discutir a preservação dos rios amazônicos.
Serviço
Conversa Visagenta
* Data: 27 de outubro de 2026, às 17h.
* Endereço: Espaço Cultural Nossa Biblioteca — Travessa 25 de Junho, 214, Guamá, Belém.
Oficinas Visagentas
* Data: 28 de outubro de 2026, às 15h.
* Endereço: Espaço Cultural Nossa Biblioteca — Travessa 25 de Junho, 214, Guamá, Belém.
8ª edição do Cortejo Visagento
* Data: 31 de outubro de 2026, concentração às 18h.
* Endereço: Cemitério Santa Izabel — avenida José Bonifácio, Guamá, Belém.
Mais informações: (91) 98032-9117 / (91) 98503-9738

