Equipe indígena do Xingu conquista prêmio em competição nacional de robótica

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Foto: Divulgação.

A equipe indígena JurunaBots, formada por estudantes da Escola Municipal Indígena Francisca Oliveira Lemos Juruna, conquistou o prêmio Equipe Revelação durante a etapa nacional do torneio First Lego League (FLL). A competição foi realizada entre os dias 6 e 8 de março, em São Paulo (SP), e reuniu equipes de todo o Brasil em uma das principais disputas educacionais voltadas à ciência, tecnologia e robótica para estudantes.

A participação da equipe na etapa nacional ocorreu após a classificação obtida durante a fase regional realizada no Pará. O prêmio Equipe Revelação é concedido a equipes que se destacam pelo potencial, criatividade e espírito colaborativo ao longo da competição, sendo definido após uma nova avaliação dos juízes entre os participantes.

A delegação paraense foi composta por cinco estudantes indígenas da Aldeia Boa Vista, localizada no município de Vitória do Xingu, no sudoeste do Pará. Os competidores representam a Escola Municipal Indígena Francisca Oliveira Lemos Juruna e levaram à competição um projeto que integra tecnologia e valorização cultural.

Durante o torneio, a equipe apresentou o projeto Museu Vivo Itinerante do Xingu, inspirado no tema da temporada deste ano da competição, voltado à arqueologia e às ciências da Terra. A proposta consiste em uma maleta educativa com réplicas de objetos culturais do povo Juruna, acompanhadas de conteúdos digitais acessados por QR Code e recursos de realidade aumentada.

Segundo o cacique Fernando, que acompanhou o desenvolvimento do projeto, a iniciativa surgiu a partir de pesquisas realizadas pelos próprios estudantes. “A proposta busca preservar e divulgar a memória do povo Juruna sem retirar artefatos do território, valorizando a oralidade e os saberes tradicionais. O projeto também inclui conteúdos na língua indígena Juruna, fortalecendo a relação entre tecnologia, cultura e identidade”, afirmou.

Para secretária de Estado dos Povos Indígenas, Puyr Tembé, o reconhecimento demonstra a presença da educação indígena em espaços de ciência e inovação. “A participação e o reconhecimento desses jovens mostram que a educação indígena também está conectada às novas tecnologias e à produção de conhecimento”, destacou.

Com informações da Agência Pará.