EUA classificam facções brasileiras CV e PCC como organizações terroristas

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Foto: Alex Silva (Agência Estado/Estadão Conteúdo).

Em comunicado divulgado nesta quinta-feira (28), o Departamento de Estado dos EUA anunciou a inclusão das facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO).

Segundo o comunicado, a decisão terá validade a partir do dia 5 de junho e as medidas são adotadas com base na seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidade (ImmigrationandNationalityAct) e em uma ordem executiva do presidente Donald Trump. As designações como FTO entram em vigor após publicação no Federal Register.

No comunicado, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, enfatizou que o PCC e o Comando Vermelho estão entre as organizações criminosas mais violentas do Brasil.

O governo brasileiro vinha tentando, nos últimos meses, evitar essa designação por avaliar que isso poderia abrir caminho para uma ação militar dos EUA no Brasil ou aplicação de sanções severas em setores econômicos e financeiros.

Risco - Especialistas avaliam que a decisão coloca em risco a soberania do Brasil e pode travar a cooperação investigativa bilateral. A mudança elevaria o nível de sigilo das informações trocadas entre as forças de segurança, centralizando o fluxo na CIA ou em agências militares dos EUA.

Esta mudança poderia, segundo esses especialistas, atrapalhar investigações conjuntas em curso e inviabilizar futuras cooperações.

Em seu novo mandato, Donald Trump tem reconfigurado a política externa de Washington para a América Latina. O governo americano vem direcionando seu aparato militar para a região sob o argumento de combater o avanço do "narcoterrorismo".

Ao longo dos últimos meses, forças militares dos EUA bombardearam diretamente diversas embarcações no Caribe, fora da jurisdição norte-americana, sob alegação de combate ao terrorismo.

A própria intervenção militar na Venezuela no início do ano, que terminou com a deposição e captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, também teve como principal justificativa a luta contra o narcoterrorismo.

O alcance de ações semelhantes em território brasileiro, com base nesta nova designação, apesar de incerto, torna-se um risco real.

No início deste mês, durante visita à Casa Branca, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump discutiram a criação de frentes de trabalho conjuntas para sufocar as finanças de organizações criminosas transnacionais. Na ocasião, segundo Lula, as facções brasileiras CV e PCC não foram debatidas especificamente.

O anúncio de Rubio também coincide com um encontro entre ele e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência da República, ocorrido nesta quarta-feira (28), em Washington. Um dia antes, o senador havia se reunido com Trump na Casa Branca, em companhia do irmão, o autoexilado ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, ambos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Com informações da Agência Brasil.

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