Manoel Cordeiro reúne memórias, guitarradas e ritmos da Amazônia em novo disco

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Foto: José de Holanda/ Divulgação
Foto: José de Holanda/ Divulgação

O mestre da música amazônica Manoel Cordeiro lança nesta sexta-feira (22) o álbum “Te Dou Um Norte”, terceiro trabalho solo do artista em quase seis décadas de carreira, que estará disponível nas plataformas digitais de música. O disco reúne faixas inéditas e composições resgatadas de seu acervo musical, consolidando uma trajetória marcada pela valorização das sonoridades da Amazônia.

Com produção assinada por Manoel Cordeiro em parceria com Gustavo Ruiz, o álbum apresenta uma obra conectada aos ritmos amazônicos, como carimbó, lambada, brega e zouk, em arranjos que equilibram tradição popular e linguagem contemporânea. A guitarra, marca registrada do artista, conduz o trabalho como elemento central da narrativa musical.

Ao longo de dez faixas, “Te Dou Um Norte” promove encontros com nomes da música brasileira e amazônica, como Lia Sophia, Patrícia Bastos, Keila, Emília Monteiro, Fernando Catatau, Igor Capela, Luiz Pardal e o coletivo Lambada de Serpente. O projeto é apresentado como um convite à escuta da potência cultural amazônica, conectando memória, identidade e modernidade. O pré-save já está disponível nas plataformas digitais.

Faixas

A abertura do álbum fica por conta de “Kassaviando”, uma homenagem ao músico francês Jacob Desvarieux e ao ritmo zouk, popularizado pelo grupo Kassav' nos anos 1970. A faixa traz um convite à dança e conta com a participação do paraense Igor Capela em um dueto de guitarras com Manoel Cordeiro.

Já “Chuva de Foguinho” aposta no zouk love e na mistura de romantismo com dança. A música tem participação da cantora paraense Keila, que interpreta a faixa com vocais marcantes e cheios de energia.

Em “Floresta em Pé”, Patrícia Bastos dá voz a um carimbó que destaca a preservação ambiental da Amazônia. A canção tem letra de Joãozinho Gomes e participação de Felipe Cordeiro na programação de bateria e percussão.

A guitarrada pop “Oh Sorte” reúne Lia Sophia e Manoel Cordeiro em uma parceria autoral marcada pela valorização da guitarra amazônica. Já “Zouk Serpente” aproxima o artista da nova geração em colaboração com o coletivo Lambada de Serpente.

Entre as faixas mais afetivas do disco está “Boizinho dos Caetés”, homenagem ao pai de Manoel Cordeiro e à cultura bragantina. A música mistura referências ao boi-bumbá, à religiosidade popular e à poesia amazônica, com participação especial do maestro Luiz Pardal.

Sobre o artista

Aos 70 anos, Manoel Cordeiro reafirma sua relevância na música brasileira pelo domínio artístico construído ao longo de 59 anos de carreira. Ele participou da produção de cerca de mil álbuns e é considerado um dos principais responsáveis pela consolidação da música amazônica contemporânea. Entre os trabalhos mais marcantes estão produções para Beto Barbosa, Banda Warilou, Banda Carrapicho, Roberta Miranda, Roberto Leal e Eliane.

O artista também esteve à frente do álbum “Do Tamanho Certo Para o Meu Sorriso”, de Fafá de Belém, vencedor dos prêmios de Melhor Álbum (2016), Melhor Cantora (2016) e Melhor DVD (2017) no Prêmio da Música Brasileira. Já o disco “No Embalo de Pinduca”, de Pinduca, produzido por Cordeiro, foi indicado ao Grammy Latino em 2017.

Em 2025, a trajetória e a obra musical de Manoel Cordeiro foram reconhecidas como patrimônio cultural e imaterial do Pará, por meio da Lei nº 11.180.