Mulheres impulsionam mercado de trabalho no Pará e garantem 60% das novas vagas em 2025

Em alusão ao 8 de março, Dia Internacional da Mulher, o Dieese/PA, em parceria com a Secretaria de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda do Governo do Estado do Pará (Seaster) e o Observatório do Trabalho, lançou um novo estudo sobre a inserção das mulheres no mercado formal de trabalho paraense.
Com base em dados do Caged, o levantamento vai além da celebração da data, servindo como ferramenta para analisar desafios persistentes, como a desigualdade salarial e a violência de gênero. O objetivo é fomentar o debate sobre a ocupação de espaços de decisão e a melhoria das condições de trabalho para o público feminino no estado.
O mercado de trabalho no Pará encerrou 2025 com saldo positivo, mas foram as mulheres as principais protagonistas desse crescimento. De acordo com dados consolidados do setor, o estado criou 36.023 novos postos de trabalho formal ao longo do ano, resultado de 517.417 admissões contra 481.394 desligamentos. Das novas vagas criadas, 21.367 foram preenchidas por mulheres. Embora representem cerca de 33% das contratações totais, as mulheres responderam por 59,31% do saldo líquido de empregos no estado. Enquanto o público feminino garantiu quase 60% das novas vagas, os homens concentraram 40,7% do saldo total.
Força nos setores de Serviços e Comércio
O mercado de trabalho formal para as mulheres no Pará apresentou um salto expressivo em 2025. Segundo o novo estudo do Dieese/PA, o saldo positivo de empregos femininos cresceu 18,2% em comparação ao ano anterior, saltando de 18.084 vagas em 2024 para 21.367 no último ano. A análise setorial revela que o crescimento não foi uniforme em toda a economia. A absorção da mão de obra feminina continua fortemente concentrada em dois pilares: Serviços e Comércio.
O setor de Serviços consolidou-se como o principal motor da empregabilidade feminina no Pará em 2025. Segundo o Dieese/PA, o segmento foi responsável por 61,4% de todo o saldo de empregos formais gerados para mulheres no estado, com a criação líquida de 13.121 postos.
O Comércio aparece logo em seguida, com um saldo positivo de 5.951 vagas (27,9% do total). Juntos, Serviços e Comércio dominaram o cenário, respondendo por 89,3% das oportunidades formais femininas no ano.
Mercado privilegia jovens, enquanto mulheres acima de 50 perdem espaço
O novo estudo do Dieese/PA revela um cenário de forte desigualdade geracional no emprego formal feminino em 2025. O levantamento aponta que as jovens de 18 a 24 anos são as grandes protagonistas da ocupação de vagas, respondendo por 61,7% de todo o saldo positivo do estado, com a criação de 13.190 novos postos.
Além do dinamismo na faixa dos 20 anos, o setor formal registrou uma presença importante de adolescentes de até 17 anos, que garantiram um saldo de 1.718 vagas (8% do total) — resultado impulsionado, em grande parte, por contratos de aprendizagem.
Escolaridade
O nível de escolaridade consolidou-se como o divisor de águas para a empregabilidade feminina no Pará em 2025. Segundo o Dieese/PA, mulheres com o ensino médio completo dominaram as contratações, representando impressionantes 82,6% de todo o saldo de empregos formais gerados para o público feminino no estado. Nesta categoria, o saldo positivo foi de 17.645 postos, reafirmando que a conclusão da educação básica é, hoje, o requisito indispensável para a inserção no mercado paraense.
Apesar da importância da qualificação acadêmica, o saldo para mulheres com ensino superior completo foi significativamente menor em termos de volume, com 1.751 novas vagas (8,2% do total). O dado sugere uma concentração de oportunidades em funções operacionais e técnicas que exigem o nível médio, em detrimento de postos de alta especialização.
Pará lidera geração de empregos femininos na Região Norte
O Pará consolidou sua posição como o principal motor da empregabilidade feminina na Amazônia no último ano. Segundo levantamento do Dieese/PA, baseado em dados do Caged, o estado foi responsável por 43,6% de todas as novas vagas com carteira assinada criadas para mulheres na Região Norte em 2025.
Enquanto a Região Norte fechou o ano com um saldo positivo de 49.061 postos de trabalho femininos, o Pará sozinho garantiu 21.367 dessas vagas. O desempenho paraense é fruto de um volume expressivo de movimentação, com mais de 171 mil admissões contra 149 mil desligamentos.
Embora o crescimento do emprego formal feminino registrado pelo Dieese/PA em 2025 indique avanços significativos, o cenário revela que o mercado de trabalho ainda está em processo de transformação. Historicamente marcadas por obstáculos como a desigualdade salarial, a discriminação e a exaustiva dupla jornada, as mulheres paraenses demonstram, hoje, um protagonismo crescente na economia.
Contudo, os dados servem como um alerta para as lacunas que persistem. A expansão da participação feminina não elimina desafios estruturais que exigem políticas públicas contínuas, tais como: ampliação da rede de creches e apoio ao cuidado familiar; garantia de igualdade salarial e combate a práticas discriminatórias; e o fortalecimento do acesso à formação profissional para promover a permanência e a ascensão das trabalhadoras.
