Museu Goeldi e Embaixada da França promovem seminário sobre cooperação científica na Amazônia
No contexto das comemorações dos 200 anos de relações diplomáticas entre Brasil e França, o Museu Paraense Emílio Goeldi, em parceria com a Embaixada da França no Brasil, realiza o seminário “Conexões Amazônicas: Pesquisas Colaborativas entre Brasil e França”, de 26 a 28 de agosto, no auditório Paulo Cavalcante, no Campus de Pesquisa do Museu Goeldi, em Belém.
O encontro abre a programação científica do Ano da França no Brasil 2025 e propõe um panorama histórico e contemporâneo das pesquisas desenvolvidas em parceria na Amazônia, reforçando a agenda internacional sobre a sociobiodiversidade da região. A programação será transmitida ao vivo pelo canal do Museu Goeldi no YouTube.
A iniciativa está diretamente ligada ao memorando de entendimento firmado em 2024, quando os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Emmanuel Macron estiveram em Belém e anunciaram a ampliação da cooperação científica entre os dois países. A pesquisadora Helena Lima, que acompanha as tratativas desde o início, destaca que o evento evidencia projetos conjuntos entre o Museu Goeldi, instituições da Amazônia brasileira e a Guiana Francesa.
Programação
O seminário reúne conferências, mesas-redondas, sessões de cinema e lançamentos. No dia 26 de agosto, a programação abre com a Jornada de Jovens Pesquisadores, que contará com mestrandos e doutorandos do Brasil e da Guiana Francesa. Nos dias 27 e 28, a agenda se concentra na troca de experiências entre cientistas de áreas como biodiversidade e mudanças climáticas, saúde, história, antropologia e arqueologia, incluindo pesquisas colaborativas com povos indígenas.
Entre as ações previstas pelo memorando está também a realização de atividades conjuntas durante a COP30, em Belém, incluindo um encontro de populações indígenas franco-brasileiras da região do Oiapoque (AP), em novembro.
Cooperação histórica
Com quase 160 anos de atuação, o Museu Goeldi é referência internacional em pesquisas sobre a geo, socio e biodiversidade amazônica. De acordo com o historiador Nelson Sanjad, a parceria científica com a França ganhou força a partir da década de 1980, principalmente com o IRD (Institut de Recherche pour le Développement), em áreas como antropologia e linguística.
Nos anos 1990, o projeto Ecolab possibilitou estudos geomorfológicos e o uso de sensoriamento remoto na foz do rio Amazonas. Desde os anos 2000, a cooperação segue ativa em projetos de pesquisa e na pós-graduação. Atualmente, duas pesquisadoras do IRD integram o Programa de Pós-Graduação em Diversidade Sociocultural (PPGDS): Laure Emperaire, que atua em projetos de etnobotânica com povos do Rio Negro e comunidades do Rio Juruá; e Pascale de Robert, que desenvolve pesquisas sobre agrobiodiversidade em parceria com os Kayapó.
Segundo Sanjad, o seminário também terá como desdobramento a elaboração de um documento-síntese com recomendações sobre políticas científicas para a Amazônia, que será encaminhado à Presidência da República e ao conselho científico da COP30.
Novos acordos
Além do seminário, o Museu Goeldi articula, junto ao Centro Franco-Brasileiro da Biodiversidade da Amazônia (CFBBA), novos acordos de cooperação com instituições francesas, entre elas o IRD, o CIRAD (Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agrícola para o Desenvolvimento) e o Museu Nacional de História Natural de Paris.
Serviço
Seminário Conexões Amazônicas: Pesquisas Colaborativas entre Brasil e França
Data: 26 a 28 de agosto de 2025
Campus de Pesquisa do Museu Goeldi – Av. Perimetral, nº 1901, Terra Firme, Belém.
Inscrições: bit.ly/conexoesamazonicas
Transmissão: Canal do Museu Goeldi no YouTube