Descarte inadequado de canetas emagrecedoras preocupa especialistas
Além dos riscos à saúde humana, por conta das agulhas, esse tipo de resíduo pode causar a contaminação do solo e da água.
A venda dos medicamentos análogos ao GLP-1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras, aumentou 25,5% no Brasil em 2025, de acordo com dados do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma), considerando apenas os produtos vendidos regularmente. Da mesma forma, cresceu no mesmo período o descarte inadequado desses fármacos, cenário que preocupa especialistas por conta dos riscos à saúde humana e de contaminação da água e do solo.
Somente no Distrito Federal, em 2025 mais de uma tonelada de canetas foram parar no meio do lixo reciclável e cerca de meia tonelada, o equivalente a 36 mil unidades de medicamentos aplicados com agulhas, foram jogados fora de maneira errada. No mesmo ano, 98 garis se feriram com agulhas durante o trabalho, devido ao descarte incorreto. As informações são do Serviço de Limpeza Urbana do DF.
Além disso, o lixo gerado pelas canetas emagrecedoras contém hormônios que podem atuar como desreguladores endócrinos, como explica Suzete Caminada, pesquisadora sobre contaminação ambiental causada por fármacos na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo e membro do grupo técnico de logística reversa, resíduos e gestão ambiental do Conselho Regional de Farmácia de São Paulo.
Segundo Caminada, esses produtos não são um resíduo simples por terem plástico, vidro e agulha, o que complica o descarte, uma vez que cada componente segue uma rota diferente dos demais medicamentos na hora de ser jogado fora, até porque a agulha é um objeto perfurocortante, ressaltou.
Nem todas as farmácias aceitam ou têm um coletor para agulhas. Além disso, a população, de forma geral, não sabe onde descartar e nem conhece os perigos associados a isso, tanto em relação ao meio ambiente quanto em relação a outras pessoas, como os catadores, acrescentou a pesquisadora.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), apesar de ter normativa que classifica as canetas emagrecedoras como resíduos perfurocortantes, que exigem destinação especial, não tem uma norma obrigando estabelecimentos, como as drogarias, a terem pontos de coleta.
Caminada diz que é fundamental a intensificação de ações educativas e de políticas públicas voltadas à conscientização da população acerca do descarte correto desse tipo de resíduo, assim como um aumento significativo no número de postos de coleta em todas as regiões do país, uma vez que atualmente eles estão mais concentrados no Sudeste.
Com informações da Faculdade de Saúde Pública da USP.

