Pesquisa alerta para os riscos de adolescentes não vacinados contra o HPV
Estudo publicado pelo IBGE, integra a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), realizada desde 2009 em parceria com o Ministério da Saúde para monitorar fatores de risco e proteção à saúde dos adolescentes brasileiros.
Cerca de 10,4% dos estudantes brasileiros de 13 a 17 anos não estavam vacinados contra o Papiloma Vírus Humano (HPV) e, aproximadamente 34,6% deles não sabiam se tinham recebido a vacina ou não. Os dados integram a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), divulgada na última quarta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O levantamento mostra que isso representa quase 1,3 milhão de adolescentes desprotegidos e outros 4,2 milhões potencialmente vulneráveis à infecção pelo HPV, vírus responsável por 99% dos casos de câncer de colo do útero e por boa parte dos tumores de ânus, pênis, boca e garganta.
Os dados foram coletados pelo IBGE em 2024 e mostram, ainda, que a porcentagem de estudantes que se vacinaram caiu 8 pontos percentuais na comparação com a edição anterior da pesquisa, feita em 2019.
Na diferenciação por gênero, o estudo mostra que apesar de haver uma proporção maior de meninas vacinadas (59,5% contra 50,3% dos meninos), a queda na cobertura vacinal entre elas foi ainda mais expressiva, de 16,6 pontos.
FALTA DE INFORMAÇÃO
Considerando apenas os estudantes que não se vacinaram, metade deles alegou não saber que precisava tomar a vacina. Outros motivos apontados por esse grupo foram os seguintes:
- 7,3% disseram que o pai, a mãe ou o responsável não quiseram que eles fossem vacinados;
- 7,2% não se vacinaram porque não sabiam qual a função da vacina; e
- 7% alegaram dificuldade de chegar ao local de vacinação.
A pesquisa também apontou algumas diferenças entre alunos de rede pública e privada. Entre os primeiros, 11% não se vacinaram, contra 6,9% do segundo grupo.
Por outro lado, a resistência dos pais contra a vacina foi a razão da hesitação de 15,8% dos alunos da rede privada, e de apenas 6,3% entre os da rede pública.
Segundo a presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Isabela Balallai, esses dados provam que a hesitação à vacina não se resume apenas às “fake news”, mas também à desinformação. Além disso, há a falta de acesso, a baixa percepção do risco da doença e a falta de informação.
De acordo com o Ministério da Saúde, a vacina contra o HPV está disponível em todas as unidades de saúde brasileiras através do Sistema Único de Saúde e desde 2024 é aplicada em dose única. O imunizante deve ser tomado por meninas e meninos, entre 9 e 14 anos de idade, sendo que essa faixa etária foi definida porque o vírus é transmitido principalmente por via sexual e a proteção ofertada pela vacina é mais eficaz se for tomada antes do início da vida íntima.
Com informações da Agência Brasil.

