Indígenas Munduruku fazem protesto e bloqueiam a entrada da Zona Azul da COP30
O quinto dia da Cop30 começou com mais um protesto dos povos originários. Indígenas da etnia Munduruku bloquearam por algumas horas o acesso à Blue Zone, área onde ocorrem as negociações da COP30 em Belém, em um protesto contra projetos de infraestrutura amazônica.
O protesto reuniu indígenas de Itaituba e Jacareacanga, do Pará. Entre os temas, eles solicitam a celeridade nas demarcações dos territórios. Eles reivindicavam uma reunião emergencial, alegando que projetos na região não avancem sem a consulta prévia às comunidades.
Por volta das 9h, o embaixador e presidente da COP, André Corrêa do Lago, chegou ao local e negociou com as lideranças indígenas o desbloqueio da entrada. A diretora-executiva da COP30, Ana Toni, e o secretário extraordinário da COP30, Valter Correia, também estiveram no local, em conversa pacífica entre as partes. Ele negociou com os indígenas e os convenceu a liberar a entrada e ir até o prédio do Tribunal de Justiça do Pará, que fica em frente ao local, para conversarem com a ministra Marina Silva.
Eles devem apresentar suas reivindicações, entre elas: mais participação na Cop, demarcação de mais terras indígenas, e discutir sobre projetos de infraestrutura que ameaçam seu território e de outros povos.
“As pessoas que estão aqui sofrem lá na base e sofrem com mercúrio e agrotóxico no nosso corpo. Vamos fechar: ninguém entra ou sai e ninguém vai rir ou tirar sarro da gente. Vamos ficar aqui na frente. Já chega de usar nossa imagem para dizer que é sustentável. O Estado está destruindo a floresta para colocar ferrovia, hidrovia para essas empresas”, denuncia Alessandra Korap, liderança indígena.
Por volta das 9h30, a entrada principal foi liberada, e as delegações, trabalhadores, voluntários e imprensa puderam acessar a Zona Azul da COP30.
Marco Apolo Santana, advogado da Associação Wakoborun, falou sobre as reivindicações das indígenas. "Elas se sentem excluídas. São as mesmas que fecharam a BR-163. Ou seja: parece que os governantes só ouvem quando o pessoal consegue fazer alguma manifestação, né? Felizmente, não houve violência. Houve um diálogo com o presidente da COP. Vai ter uma reunião agora, e espero que seja resolvido da melhor forma possível".
A movimentação atrasou temporariamente a entrada dos participantes na Conferência do Clima, mas logo foi aberto um acesso alternativo pela saída usual do local. Por volta de 9h30 a entrada principal foi liberada.