Nova Edição do Guia de Prevenção do Câncer de Colo do Útero

Compartilhe
Foto: João Risi/ MS
Foto: João Risi/ MS

A Fundação do Câncer divulgou, nesta quinta-feira (8), uma versão atualizada
do seu Guia Prático de Prevenção do Câncer de Colo do Útero. O lançamento
integra as ações do Janeiro Verde, mês dedicado à conscientização e
prevenção da doença. A primeira edição do guia, lançada em 2022, abordava a
vacinação contra o HPV (papilomavírus humano), a infecção sexualmente
transmissível mais comum do mundo, e o rastreamento através do exame
Papanicolau, que à época utilizava o método da citologia.

A nova versão do guia visa a orientar profissionais de saúde na transição de
rastreamento, que substituirá gradualmente o exame Papanicolau pelo teste
molecular de DNA-HPV.

O processo de implementação dos testes moleculares para detecção do HPV
oncogênico (vírus causador de câncer) foi iniciado em setembro do ano
passado. Essa implementação ocorrerá de forma gradativa.

O processo começou por meio de um núcleo criado na Secretaria de Atenção
Especializada em Saúde do Ministério da Saúde. Inicialmente, foram
selecionados municípios de 12 estados para dar início a essa implementação.

O guia atualizado da Fundação do Câncer já incorpora as recomendações das
novas Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero,
aprovadas pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no
Sistema Único de Saúde (Conitec), que preveem a substituição gradual do
exame de Papanicolaou pelo teste de DNA-HPV no SUS.

Segundo a Fundação do Câncer, o novo exame molecular supera o
Papanicolau ao detectar a infecção pelo HPV (o vírus causador) antes que as
lesões se manifestem, enquanto o Papanicolau apenas identifica as alterações
celulares quando elas já estão presentes, o que, consequentemente, amplia a
capacidade de detecção precoce e aumenta a efetividade das estratégias de
prevenção.

Público alvo

O público-alvo para o novo exame de rastreamento DNA-HPV permanece o
mesmo no Brasil, abrangendo mulheres na faixa etária de 25 a 64 anos de
idade. Embora alguns países tenham fixado a idade inicial em 30 anos, o Brasil
decidiu manter a faixa etária já consolidada. Essa decisão foi tomada após
estudos e, principalmente, para evitar a utilização simultânea dos dois métodos
(Papanicolau e DNA-HPV) em uma mesma unidade de saúde.

A periodicidade dos testes também é diferente. Na citologia, ele tem de
ser repetido de três em três anos após um resultado negativo, depois de dois
resultados negativos feitos no intervalo de um ano.
O exame molecular (DNA-HPV) é significativamente mais sensível que o
Papanicolau. Graças a essa maior sensibilidade, quando o resultado é
negativo, há 99% de certeza de que a mulher não possui o HPV, nem lesões
precursoras, nem câncer. Dessa forma, com o teste DNA-HPV, torna-se
possível ampliar o intervalo entre os rastreamentos para cinco anos, mantendo
a segurança da prevenção.

Entre as mulheres que tiverem resultado positivo para os tipos mais perigosos
e responsáveis por 70% dos casos de câncer de colo do útero, que são o HPV
16 e 18, em que há mais risco de lesão precursora de câncer, o
encaminhamento para exame de colposcopia é imediato. A colposcopia
permite, por meio de lentes de aumento, visualizar o colo do útero e a vagina
de forma ampliada e detalhada e, com o uso de alguns reagentes, detectar
lesões precursoras da doença. 

Além dos HPV 16 e 18, a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc)
identifica um grupo de mais dez tipos oncogênicos responsáveis por 30% dos
casos; mulheres que testam positivo para esses outros tipos de HPV terão a
citologia reflexa processada no mesmo material coletado, sendo encaminhadas
para colposcopia se houver alteração na citologia; caso a citologia seja normal,
a paciente repete o teste de HPV em um ano (em vez dos cinco anos padrão),
pois é considerada em um risco intermediário entre os testes negativos e os
positivos para os tipos de alto risco 16 e 18.

O Brasil aderiu à Estratégia Global para a Eliminação do Câncer de Colo do
Útero, lançada em 2020 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), e
assumiu metas até 2030 que incluem vacinar 90% das meninas até 15 anos de
idade, rastrear 70% das mulheres com teste molecular e tratar 90% das
pacientes diagnosticadas com lesões precursoras ou câncer.

Desde o final do ano passado, e com duração prevista até o final do primeiro
semestre de 2026, o Programa Nacional de Imunização (PNI) está executando
uma campanha de resgate para imunizar adolescentes com idades entre 15 e
19 anos que ainda não foram vacinados contra o HPV.

Disponível no SUS desde 2014, a vacina quadrivalente protege contra os tipos
mais frequentemente associados ao desenvolvimento do câncer de colo de
útero. No Brasil, meninas e meninos de 9 a 14 anos recebem dose única contra
o HPV.

O segundo pilar da prevenção, o rastreamento, é significativamente fortalecido
com a incorporação do teste molecular DNA-HPV. Com 99% de segurança, um
resultado negativo no DNA-HPV indica que a pessoa não tem e não
desenvolverá lesões precursoras ou câncer no período de cinco anos ou mais,
permitindo, assim, o aumento do intervalo entre os exames.

O terceiro pilar é o tratamento oportuno, que completa a estratégia da OMS.
Ele inclui desde o manejo adequado de lesões precursoras até o acesso rápido
ao tratamento oncológico para os casos já avançados, assegurando que
mulheres identificadas com alguma alteração recebam o cuidado necessário de
forma rápida e efetiva.

A vacinação gratuita contra o HPV está disponível no SUS não apenas para
adolescentes, mas também para grupos prioritários de 9 a 45 anos, incluindo
pessoas com HIV/Aids, transplantados, pacientes oncológicos, vítimas de
abuso sexual e usuários de Profilaxia Pré-Exposição; no entanto, mulheres de
20 a 45 anos que não fazem parte desses grupos devem buscar a vacina na
rede privada, sendo que, a partir dos 20 anos, o esquema vacinal é de três
doses e a decisão de vacinar deve ser compartilhada entre a paciente e o
profissional de saúde, após a avaliação dos benefícios individuais.

Foto: João Risi/ MS
Com informações da Agência Brasil