Black Friday deve movimentar R$5,4 bilhões no país, aponta CNC

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Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil.

A Black Friday deste ano deve movimentar cerca de R$ 5,4 bilhões no comércio brasileiro, segundo estimativa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O número representa crescimento de 2,4% em relação a 2023, já descontada a inflação. A projeção considera todo o mês de novembro, característica típica do modelo brasileiro de promoção, que extrapola a sexta-feira oficial da data.

A Black Friday já é a quinta data mais importante para o comércio, atrás apenas do Natal, Dia das Mães, Dia das Crianças e Dia dos Pais.

Setores que devem registrar maior volume de vendas são:
    •    Hiper e supermercados: R$ 1,32 bilhão;
    •    Eletroeletrônicos e utilidades domésticas: R$ 1,24 bilhão;
    •    Móveis e eletrodomésticos: R$ 1,15 bilhão;
    •    Vestuário, calçados e acessórios: R$ 950 milhões;
    •    Farmácias, perfumarias e cosméticos: R$ 380 milhões;
    •    Livrarias, papelarias, informática e comunicação: R$ 360 milhões.

Cenário favorável

Segundo a CNC, o bom desempenho previsto está relacionado à combinação de fatores econômicos, como o dólar mais baixo, favorecendo produtos importados; inflação em desaceleração; e o crescimento da renda média e do emprego.

A taxa de desemprego atingiu 5,6% no trimestre encerrado em setembro, o menor nível desde o início da série histórica do IBGE, em 2002.

Desafios

Apesar do cenário positivo, há entraves que limitam um crescimento maior nas vendas:
    •    Juros elevados; a média do crédito livre para pessoas físicas está em 58,3% ao ano, maior nível para essa época desde 2017;
    •    30,5% das famílias têm contas em atraso, segundo pesquisa da CNC;
    •    Concorrência com importações, especialmente por compras feitas diretamente em sites estrangeiros.

Descontos: categorias com maior potencial

A CNC monitorou diariamente 150 preços de diferentes categorias e indica que 70% delas mostraram forte tendência de redução. As maiores quedas médias foram registradas em:

Categoria Desconto Médio
Papelaria 10,14%
Livros 9,02%
Joias e bijuterias 9,01%
Perfumaria 8,20%
Utilidades Domésticas 8,18%
Higiene pessoal 8,11%
Moda 7,82%

 

Origem

Inspirada no modelo norte-americano, a Black Friday brasileira começou a ganhar força em 2010, quando movimentou R$ 1,52 bilhão. Na época, apenas os setores de eletrodomésticos, móveis, papelaria e utilidades domésticas lideravam as vendas.

Cuidados para evitar golpes

Com o aumento das promoções, também cresce a ação de fraudadores. A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) divulga orientações para compras seguras:
    •    Acompanhe os preços ao longo do tempo;
    •    Verifique a reputação da loja em sites de reclamações;
    •    Confira políticas de entrega e reembolso;
    •    Prefira sites com “https” e cadeado de segurança;
    •    Compras online têm direito de arrependimento em até 7 dias;
    •    Suspeitas de fraude podem ser denunciadas no consumidor.gov.br ou Procon.

Golpes com uso de inteligência artificial

Uma pesquisa do Reclame Aqui revelou que 63% dos consumidores não conseguem identificar golpes feitos com IA. Entre os sinais de alerta, especialistas apontam:
    •    Vozes ou movimentos artificiais em vídeos;
    •    Anúncios com celebridades em contextos incomuns;
    •    Mensagens muito formais ou com erros sutis de escrita;
    •    Perfis recém-criados com aparência profissional;
    •    Imagens com distorções ou proporções estranhas;
    •    Chats automáticos com linguagem genérica.