SUS vai oferecer teleatendimento em saúde mental para tratar compulsão por apostas (Bets)
A ampla difusão de jogos e apostas, especialmente das modalidades eletrônicas (as chamadas bets), tem causado um impacto negativo nas finanças e na saúde vários brasileiros. Estudo recente, feito pelo Instituto de Estudos de Políticas de Saúde (Ieps), apontou que as bets provocam perdas econômicas e sociais ao país estimadas em R$ 38,8 bilhões anualmente.
Reconhecendo esse problema, os Ministérios da Saúde e da Fazenda realizaram um acordo de cooperação técnica para combater o vício ou a compulsão por jogos, zelando pelo bem-estar físico, mental e pela estabilidade financeira dos usuários.
Entre as ferramentas que serão implementadas está uma plataforma de autoexclusão que, a partir do dia 10 de dezembro, permitirá ao apostador que deseja interromper o vício solicitar ser bloqueado dos sites de apostas, além de deixar seu CPF indisponível para novos cadastros ou para o recebimento de publicidade das bets.
Como parte das medidas de prevenção e cuidado, o acordo também cria o Observatório Brasil Saúde e Apostas Eletrônicas. O Observatório será um "canal permanente de troca de dados entre as pastas" para viabilizar ações integradas. Tais ações permitirão que os usuários busquem apoio nos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS).
Uma série de orientações sobre como buscar ajuda no SUS complementará a plataforma de autoexclusão. As informações sobre os pontos de atendimento estarão disponíveis por meio do aplicativo Meu SUS Digital e da Ouvidoria do SUS.
O Ministério da Saúde lançou também a Linha de Cuidado para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos de Apostas, pelo telefone 136, que tem orientações clínicas e prevê atendimento presencial e online como forma de reduzir as barreiras de acesso ao cuidado em saúde mental.
Durante sua participação no evento, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, destacou que, apesar de as bets terem sido autorizadas em 2018, pouco foi feito para regulamentar essa atividade durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele acrescentou que, com o atual regramento, nenhum CPF de criança ou de beneficiário de Benefício de Prestação Continuada (BPC) ou do Bolsa Família pode ser usado para cadastro nos sites de jogos.
Perfil dos jogadores
O Ministério da Saúde, por meio do departamento de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas, aponta que dados do SUS já revelam um aumento no número de pacientes atendidos com transtornos ligados ao jogo. De acordo com o departamento, em 2023, o SUS fez 2.262 atendimentos de pessoas com esse tipo de vício ou compulsão. Em 2024, esse número subiu para 3.490.
Segundo o Ministério da Saúde, o perfil do indivíduo viciado em bets é o seguinte: homem, negro, com idade entre 18 e 35 anos, e está em situação de vulnerabilidade. Esse perfil é marcado por estresse, rupturas no cotidiano, e frequentemente por separação, desemprego ou aposentadoria, além de isolamento ou fragilidade na rede de apoio.
Com informações da Agência Brasil.